Revirão
2007 - cd
GEGE / Warner Music

1 - Os pais
(Jorge Mautner e Gilberto Gil)

2 - Assim já é demais

(Jorge Mautner)

3 - Estilhaços de paixão

(Jorge Mautner)

4 - Ressurreições
(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

5 - Olha só quem passa

(Jorge Mautner)

6 - Ao som da Orquestra Imperial
(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

7 - Nicanor

(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

8 - O executivo-executor

(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

9 - Outros viram
(Jorge Mautner e Gilberto Gil)

10 - Juntei a fome com a vontade de comer!
(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

11 - Kilawea
(Bartolo-Jorge Mautner)

12 - Acúmulo de azuis
(Jorge Mautner e Bem Gil)

13 - A história do baião

(Jorge Mautner e Ronald Pinheiro)

 

Revirão
2007 Jorge Mautner

Faixa por faixa - por Jorge Mautner

OS PAIS (Gilberto Gil-Jorge Mautner)
Essa canção foi composta por mim e por Gil, tanto a letra quanto a melodia, entre o Natal de 2005 e a festa do ano novo de 2006 em Araras. Ela reflete o ponto central da angústia das decisões: maior liberdade, ou maior repressão?

ASSIM JÁ É DEMAIS (Jorge Mautner)
É um rock-marchinha de feliz história de amor. Universo da felicidade que a sensação do amor fabrica em nossas almas, ingênuo até na malícia, quase música de criança, quando a canto preciso segurar as risadas. A presença do cão de estimação sempre me remete para um território de extrema ternura e com a chegada de Cupido atinjo o êxtase!

ESTILHAÇOS DE PAIXÃO (Jorge Mautner)
Esta canção foi composta em l958. Ela é também uma canção de amor, porém muito atormentada e com saudades precoces de um tempo que "passa depressa demais", é interpretada por mim e por Caetano. Quando a ouço, ou interpreto, ela representa para mim uma saudade em chamas e labaredas de lembranças eternas que me ressuscitam a cada instante. A presença de Caetano a tornou sublime e irresvalável!

RESSURREIÇÕES (Nelson Jacobina-Jorge Mautner)
É um rock romântico. Ela foi composta depois de uma longa conversa com Nelson Jacobina sobre Aracy de Almeida e Janis Joplin. Tem um tom heróico, aonde a dor é tamanha que emudece, as lágrimas que são palavras que não podemos pronunciar, segundo mestre Freud, não conseguem brotar dos olhos de quem quer chorar. Existem quartos secretos que guardam segredos, leões, tem um tom de "estrada afora", uma dor que é transfigurada pela eterna esperança das ressurreições do amor.

OLHA SÓ QUEM PASSA(Jorge Mautner)
É uma espécie de carimbó. Tem a alegria de uma declaração de amor em pleno meio-dia da floresta amazônica cercado de vitórias-régias. É ingênuo e ao mesmo tempo é um despacho para que o amor dê certo, um feitiço cheio de malemolências e uma exaltação e celebração da emoção e sensação mais importante da vida.Tem uma batida de pororoca.

AO SOM DA ORQUESTRA IMPERIAL(Nelson Jacobina-Jorge Mautner)
Como diz o seu título, é uma homenagem à Orquestra Imperial. Ela descreve os efeitos medicinais causados por esta Orquestra Imperial. Os músicos da Orquestra Imperial participam em plenitude tocando nesta faixa, destacando-se a presença do genial Wilson das Neves, e é dividida em duas partes, a primeira parte descreve alguém acometido da doença de profunda melancolia, a segunda parte este mesmo alguém cada vez mais saudável e atingindo a euforia, graças ao som da Orquestra. O som parece ondular em vários espaços, e um dos responsáveis por esta ondulação de belezas é o músico Felipe Pinaud, com seu arranjo para os sopros.

NICANOR(Nelson Jacobina-Jorge Mautner)
É quase uma caricatura sublime de um tal de Nicanor que parece ser parente de Macunaíma e de Jeca Tatu. Ele move-se no espaço da abundância e dos devaneios e miragens de seus desejos. Quer escapar do tédio através de banhos de sol e pegar uma cor, pegar uma cor para ficar com a cor do rei Zumbi e se tornar astro de futebol nos gramados dos grandes estádios. Tem muito de hai-kai e majestade tropical. Os efeitos de belezas devaneantes se devem principalmente ao piano de Thomas Improta e ao som da guitarra de Nelson Jacobina.

EXECUTIVO-EXECUTOR (Nelson Jacobina-Jorge Mautner)
Nasceu de comentários filosóficos e conversas sobre economia e aumento da população coincidindo com o invento da automação. É na verdade um pouco injusto para com o executivo,pois este como empresário e diretor-executivo tem que fazer sempre o que é melhor para a empresa,mas esta canção sonha com um executivo que seja neo-capitalista e que tenha grande alma e coração devotados para o bem comum e que destine parte do lucro de sua empresa para os necessitados e em outras benesses sociais tão essenciais. Nelson Jacobina estréia como cantor nesta faixa de maneira impactante, bem humorado em seu sarcasmo e muito irado.

OUTROS VIRAM (Gilberto Gil-Jorge Mautner)
Esta canção é o cerne poético-filosófico deste disco, celebra a grande importância do Brasil e sua cultura para o mundo. Foi composto em Araras na mesma época em que compusemos "Os Pais". Uma canção é irmã da outra. Aqui celebra-se em tom de plenitude e Graça Divina,o país-continente chamado Brasil,aonde " Humanidade vem renascer..." Foi com muita emoção que a compusemos,eu e Gil,sob noites estreladas da serra.na companhia de sua maravilhosa família,e de sua esposa Flora Gil. Ela nos remete para um neo-Ary Barroso,neo-Assis Valente,as citações proféticas de Whalt Withman, Rabindranath Tagore,são impressionantes por sua veemência e veracidade. É a saudação da amálgama, esta amálgama que no dizer de José Bonifácio em l823 nos diferencia de todos os demais paises. Fala no deslumbramento e admiração que esta amálgama produziu em Theodore Roosevelt e que ele identificou com o melting pot e de como a considerou como sendo de máxima urgência a sua adoção pelos USA, esta miscigenação, amálgama, mistura, melting-pot. Gil a interpreta com majestade democrática, com o enaltecimento e a exaltação que vem como carinhos sem fim brotando lá do fundo do coração!

ME TELEFONE (Nelson Jacobina-Jorge Mautner)
É um frevo que tem como introdução uma canção interpretada por Preta Gil,em forma vibrante e sensual. Em seguida vem o frevo que é um pedido de amor telefônico,é um elogio ao telefone que nesta canção é enxergado como participante total do caso de amor,sem dúvida o seu cúmplice. Na segunda parte do frevo há um cantarolar caipira"já são,dezoito pras oito"que eu gosto muito de cantar,não sei porque.

KILAWEA (Bartolo-Jorge Mautner)
Eu dei uma letra para o Bartolo, e logo em seguida ele me mostrou este inebriante "Kilawea". É uma canção de amor, sonhada em sua letra ao ver surfista surfando e beijando as suas namoradas enquanto a tarde caía e cada vez mais ventava fazendo as ondas crescerem. O amor nos estremece como lava do vulcão de Kilawea. A guitarra de Bartolo uiva e geme saudando a gostosura da vida.

ACÚMULO DE AZUIS (Bem Gil-Jorge Mautner)
Esta música é uma homenagem ao afro-reggae, ao seu diretor Junior, e para Wally Salomão! A melodia desta música é um canto de celebração de cadência dolente e que nos chama a atenção para os ensinamentos dos batuques sagrados, é um hino da segunda abolição de Joaquim Nabuco e é a proclamação da importância dos ensinamentos que vem do som dos tambores. Bálsamos em forma de ondulações sonoras. "Os que agirem em meu nome, serão chamados de pacificadores". Quero destacar a magnífica participação de Bem Gil.

HISTÓRIA DO BAIÃO (Ronald Pinheiro-Jorge Mautner)
Ronald Pinheiro é extremado bandolinista, e com ele compus este épico que acentua o caráter de ufanismo não xenófobo, mas ufanismo do Brasil-Universal, deste disco. A minha admiração pelo nordeste vem desde o tempo de criança, toda sua literatura, poesia, heróis, cordéis, vaquejadas, bumbas-meu-boi, maracatus, absorvidas desde cedo com gulodice de paixão. O herói desta música é o Brasil. O vaqueiro leva o gado e leva o sonho, e leva o baião.A postura é estóica, mas o amor domina estremecendo a paisagem,sul-norte-leste-oeste do país continente,Jackson do Pandeiro,e Luiz Gonzaga! Magnífica e imprescindível a presença magistral da sanfona do Mestre Cicinho (Cícero) que deu o tom fundamental e total de belezas para esta música!

Produzido e gravado por Berna Ceppas e Kassin
Gravações adicionais: Daniel Carvalho
Mixado por Fabiano França
Produção executiva: Jerry Marques
Assistente de produção: Nathália Costa
Gravado e mixado no Estúdio Monoaural
Edições digitais: Léo Moreira e Berna Ceppas
Assistente de estúdio: Gabriel Muzak
Masterização: Ricardo Garcia - Magic Master
Realização: Gege Produções e Dig Produções Artísticas
Projeto gráfico e foto-colagens: André Vallias
Fotografia: Priscila Azul
Coordenação gráfica: Cristina Portella e Sílvia Panella
Contato para shows (Management): Dig Produções Artísticas
Tels (21) 25292808 / 22598417
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