Para
Iluminar a Cidade
1972
Quando
eu voltei no Estados Unidos, André Midani me perguntou
se eu estava interessado numa carreira de intérprete
e compositor, e eu disse que sim. Ele estava criando, na multinacional
que dirigia, a Poligram, o selo Pirata, sob direção
de Nelson Motta. A idéia do selo era reduzir o preço
dos discos, a partir de uma produção mais barata,
com capa em apenas duas cores. Na capa original, havia um
carimbo dizendo que o disco só poderia ser vendido
por 15 cruzeiros, quando o preço de long-plays da época
era 25 ou 30 cruzeiros. Por esse motivo, o selo acabou sendo
boicotado pelas lojas, e o meu disco se tornou comercialmente
marginal, e o selo extinto. Os únicos discos que saíram
por ele foi o meu e Barra 69, gravação do show
de despedida do Brasil do Caetano Veloso e Gilberto Gil, no
teatro Castro Alves, em 1969. Para Iluminar a Cidade foi gravado
ao vivo no Teatro Opinião, em abril de 1972, com a
minha primeira banda, da qual já fazia parte Nelson
Jacobina, sob o pseudônimo de Carneiro, por causa de
seus longos cabelos. As fotos da capa do disco são
do cineasta Ivan Cardoso e da fotógrafa Thereza Eugênia,
e a capa foi feita por Luciano Figueredo e Oscar Ramos. A
música "Quero Ser Locomotiva" foi o meu primeiro
sucesso, quando foi gravada por Wanderléa. "From
Faraway" é uma parceria com Caetano Veloso, em
homenagem a Billie Holliday. Por fim, "Sapo Cururu"
é uma música foclórica que me foi cantada
por Cecília Guarnieri, em 1959, quando ela estava voltando
da Paraíba.
Jorge Mautner