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O
Ser da Tempestade
1999
"O
Ser da Tempestade" traz dois CDs que representam uma espécie
de síntese, partes escolhidas da minha obra musical.
Nesta síntese, apresento uma seleção não
apenas como compositor, em interpretações de grandes
nomes da MPB, mas também na condição de
cantor e violinista.
Não houve preocupação cronológica
na escolha das músicas, feitas por mim e pelo incrível
Paulo Euzébio Sobrinho que também é o responsável
pela qualidade das masterizações e do produto
final deste trabalho. Consta neste álbum duplo a primeira
música gravada por mim na RCA Victor no ano de 1965,
em um compacto simples e que se chama "Não, não,
não". É bom lembrar que foi este compacto
simples juntamente com meu livro "Vigarista Jorge"
prefaciado por Mario Schemberg, que motivaram o meu exílio,
pois foram o argumento usado pelas autoridades ditatoriais da
época para me colocarem como incurso na Lei de Segurança
Nacional, muito antes que este terrível destino se abatesse
sobre os demais companheiros e companheiras, artistas e intelectuais
de toda as espécies, em 1968, após a decretação
do AI-5.
O título "O Ser da Tempestade" tem relação
com o fato de toda miha obra musical, literária, filosófica,
política e pictórica, referir-se e anunciar desde
1956, data dos meus primeiros escritos e das minha primeiras
canções, até o dia de hoje e até
o futuro sem nome, a pregação e irradiação
da Nova Era do Kaos. É como dizia Glauber Rocha, meu
grande amigo: "Eu filmo o combate na hora do combate!"
e também dizia porque era muito generoso "Se eu
fosse me definir eu diria, que eu sou do kaos com K, do Jorge
Mautner, isto é, se o Jorge Mautner o permitir".
Quem primeiro me lançou no mundo da MPB foi o empresário
Moracy Do Val, justamente no ano de 1965, meses antes do meu
exílio. Mas dez anos depois, quem definitivamente me
lançou nesta querida MPB foram Caetano Veloso e Gilberto
Gil, já em Londres, quando no exílio nos encontramos,
nos confortamos e fizemos músicas em parceria. É
também a extrema generosidade de Caetano e Gil que os
fazem afirmar que eu precedi o movimento tropicalista muito
antes que ele viesse a existir.
Quero ainda destacar a grande importância, dentro do meu
trabalho musical a partir de 1972, da presença de Nelson
Jacobina Rocha Pires, instrumentista, arranjador, compositor
e amigo com o qual tenho trabalhado pelo mundo e pelo Brasil
afora desde então. Tendo várias parcerias com
ele destaco dentre elas, só para citar uma delas, a obra-prima
"Maracatu Atomico".
Jorge Mautner
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